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Perseguição e controlo tecnológico: mãos a segurar um telemóvel com um ponto de localização junto a uma janela à noite

Perseguição e controlo tecnológico: localizadores, câmaras e spyware usados para vigiar

Foto do escritor: Detective Alexandre Ribeiro
Detective Alexandre Ribeiro
há 3 dias
5 min de leitura
Perseguição e controlo tecnológico: mãos a segurar um telemóvel com um ponto de localização junto a uma janela à noite

Resposta rápida

Quando alguém sabe sempre onde está, com quem falou ou o que escreveu, pode estar a usar tecnologia para o controlar: localizadores no carro ou na mala, partilha de localização ativada às escondidas, contas iCloud ou Google partilhadas, câmaras ou microfones em casa e aplicações espiãs (stalkerware). Em Portugal, isto pode constituir perseguição ou violência doméstica. A prioridade é a sua segurança: não confronte a pessoa, procure apoio (112 em perigo imediato, APAV 116 006, Linha de apoio à vítima de violência doméstica 800 202 148, gratuita e 24 horas) e só depois trate da deteção dos dispositivos, de forma discreta.


Quando a vigilância é uma forma de controlo

Nem toda a vigilância é espionagem empresarial ou desconfiança pontual. Em muitos casos que acompanhamos, a tecnologia é usada para controlar uma pessoa: saber onde está a cada momento, quem vê, o que diz, e usar essa informação para pressionar, intimidar ou isolar. Fala-se de ciberstalking ou controlo coercivo.


Acontece sobretudo em relações íntimas, durante ou depois de uma separação, mas também entre familiares, colegas ou pessoas que se conheceram pouco antes.


Sinais de alerta

  • A pessoa aparece nos sítios onde está sem ter dito a ninguém.

  • Faz comentários sobre conversas, mensagens ou fotografias que nunca partilhou.

  • Sabe a que horas saiu, por onde andou ou quanto tempo esteve num sítio.

  • Recebe mensagens ou chamadas insistentes logo depois de mudar de rotina.

  • O seu telemóvel tem aplicações, perfis ou permissões que não reconhece.

  • Recebeu um alerta de "AirTag encontrado consigo" ou de rastreador desconhecido.

  • A pessoa ofereceu-lhe recentemente um telemóvel, um relógio, um carregador ou um objeto para casa ou para o carro.

  • Ainda partilham contas (Apple ID, Google, Netflix, operadora) ou a pessoa conhece as suas palavras-passe.


Um sinal isolado pode ter explicação. Vários ao mesmo tempo justificam atenção.


Primeiro, a sua segurança

Antes de procurar dispositivos, pense no que pode acontecer quando os encontrar ou os desligar. Quem controla alguém através de tecnologia pode reagir mal quando perde esse controlo.


  1. Em perigo imediato, ligue 112.

  2. Procure apoio especializado: APAV, linha 116 006 (dias úteis); Linha de apoio à vítima de violência doméstica, 800 202 148 (gratuita, 24 horas) ou SMS 3060.

  3. Use um dispositivo seguro para pedir ajuda ou pesquisar: o telemóvel de alguém de confiança, um computador do trabalho ou de uma biblioteca.

  4. Não confronte a pessoa e não altere de forma brusca as suas rotinas digitais (apagar aplicações, mudar todas as palavras-passe de uma vez) sem um plano.

  5. Guarde provas: capturas de ecrã, mensagens, datas e horas dos episódios. Guarde-as fora do telemóvel que pode estar comprometido.

  6. Fale com a polícia ou com um advogado sobre medidas de proteção. A perseguição (art. 154.º-A do Código Penal) e a violência doméstica (art. 152.º) são crimes; a violência doméstica é crime público. Explicamos o enquadramento legal em Escutas, gravações e localizadores: o que é crime em Portugal.


Os métodos mais comuns e como os verificar

Partilha de localização e contas partilhadas

É o método mais simples e, por isso, o mais frequente. Não exige instalar nada.


  • iPhone: Definições › [o seu nome] › Encontrar › Partilhar a minha localização; veja também a aplicação Encontrar › Pessoas.

  • Google: Google Maps › foto de perfil › Partilha de localização; e Conta Google › Segurança › Os seus dispositivos.

  • Verificação de segurança no iPhone: Definições › Privacidade e segurança › Verificação de segurança. Esta ferramenta da Apple foi pensada precisamente para quem quer rever e cortar acessos de um ex-companheiro.


Localizadores no carro, na mala ou no casaco

AirTags e localizadores Bluetooth geram alertas no telemóvel; localizadores GPS com SIM não. Veja onde procurar em AirTag ou localizador escondido: como saber e em Como detetar um localizador GPS no carro.


Stalkerware no telemóvel

São aplicações vendidas para "controlo parental" ou "monitorização" que, instaladas às escondidas, permitem ler mensagens, ouvir chamadas, ver fotografias e acompanhar a localização. Os sinais e a forma de verificar estão em Como saber se o telemóvel está a ser espiado. No caso do WhatsApp, veja WhatsApp espiado: como saber e como proteger a conta.


Atenção: desinstalar o stalkerware avisa, muitas vezes, quem o instalou. Se é este o seu caso, planeie esse passo com apoio especializado e, se possível, preserve primeiro a prova.


Câmaras e microfones em casa

Câmaras Wi-Fi, campainhas inteligentes, colunas com assistente de voz e aparelhos oferecidos pela pessoa podem ser usados para ver e ouvir o que se passa em casa, sobretudo se ela continuar a ter acesso às aplicações. Mude as palavras-passe do router e das aplicações das câmaras, reveja quem tem acesso e veja Como detetar câmaras e escutas em casa.


Como podemos ajudar, de forma discreta

Fazemos varrimentos técnicos à casa, ao carro, aos objetos pessoais e ao telemóvel para identificar localizadores, câmaras, microfones e software espião. Nos casos de perseguição, trabalhamos com cuidado redobrado:


  • combinamos horários e locais seguros para a diligência;

  • podemos documentar os dispositivos sem os retirar, se for melhor para a sua segurança ou para a investigação policial;

  • o telemóvel fica connosco cerca de 12 horas e entregamos um relatório escrito com o que foi encontrado;

  • o relatório pode ser entregue ao seu advogado ou junto à queixa.


As diligências são marcadas com 24 horas de antecedência. Saiba mais no serviço de varrimento eletrónico e deteção de escutas e GPS.


Quem somos

A Detetives Privados Portugal é coordenada por Alexandre Ribeiro, detetive privado com experiência desde 2001 e membro da WAD (nº1687), da APDPE (nº1326), da LIDEPPE (nº33) e da IKD. Trabalhamos em todo o país, a partir do Porto, de Lisboa e das restantes regiões.


A avaliação inicial é gratuita e confidencial. Ligue para o +351 936 225 975 (atendimento 24 horas) ou, se for mais seguro, escreva-nos através dos contactos a partir de um dispositivo de confiança.


Perguntas frequentes

O que é stalkerware?

São aplicações de monitorização instaladas às escondidas no telemóvel de outra pessoa para ler mensagens, ouvir chamadas, ver fotografias e seguir a localização. Instalá-las sem consentimento pode ser crime.


Perseguição é crime em Portugal?

Sim. O artigo 154.º-A do Código Penal pune quem persegue ou assedia outra pessoa de forma reiterada, por qualquer meio, causando-lhe medo ou inquietação ou prejudicando a sua liberdade. Numa relação íntima, pode também ser violência doméstica.


Devo apagar logo a aplicação espiã ou o localizador?

Não sem um plano. Retirar o dispositivo ou a aplicação pode alertar quem o colocou e destruir a prova. Primeiro garanta a sua segurança, fale com apoio especializado e documente o que encontrou.


Que linhas de apoio existem em Portugal?

Em perigo imediato, ligue 112. A APAV atende pelo 116 006 e a Linha de apoio à vítima de violência doméstica pelo 800 202 148, gratuita e 24 horas, ou por SMS para o 3060.


Como sei se o meu ex vê a minha localização?

Verifique a partilha de localização no iPhone (Encontrar) ou no Google Maps, os dispositivos ligados às suas contas e use a Verificação de segurança do iPhone. Procure também localizadores no carro e nos objetos pessoais.


Um detetive pode ajudar sem que a outra pessoa saiba?

Sim. O varrimento é feito de forma discreta, em horário e local combinados, e os dispositivos podem ser documentados sem serem retirados, se isso for mais seguro para si.


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